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Bhagavad Gita

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A BHAGAVAD GITA, isto é, A Sublime Canção, também designada como a Canção do Senhor ou a Mensagem do Mestre, é uma das obras mais importantes que existem no mundo. Este livro é altamente prezado pelos budistas e venerado como escritura sagrada pelos brâhmanes, que, freqüentemente, o citam como autoridade no que se refere à religião hindu. A filosofia nele exposta é um conjunto harmonioso das doutrinas de Patanjali, Kapila e dos Vedas.

A Bhagavad Gita é um episódio da grande e antiga epopéia hindu, intitulada Mahabarata, que contêm 250.000 versos, descrevendo a grande guerra entre os Kurus e os Pandavas, que tinham por objetivo a posse de Hastinapura, um dos centros mais importantes da civilização ariana. Em sua forma liberal, apresenta a Bhagavad Gita um interessante diálogo entre Krishna e Arjuna, tratando de um fato histórico; mas os Mestres hindus dizem que este livro maravilhoso tem sete sentidos, e aconselham ao leitor esforça-se por penetrar no seu mais profundo sentido interior ou espiritual.

A leitura dessa Sublime Canção é útil para todos: cada um, porém, poderá assimilar e compreender só aquilo que estiver em harmonia com o desenvolvimento de suas faculdades psíquicas e espirituais.

A cena da ação histórica da Bhagavad Gita transporta-nos à planície da Índia, entre os rios Jumma e Sarsuti, atualmente conhecidos como Kurul e Jheed. Na capital do país, chamada Hastinapura, reinava, em tempos remotos, o rei Vichitraviría. Casou-se com duas irmãs, mas faleceu sem deixar filhos. Conforme o costume dos antigos povos orientais, Vyâsa, irmão do falecido, tomou essas viúvas por esposas e teve delas dois filhos: Dhritarashtra e Pandu.

Dhritarashtra, o mais velho, gerou cem filhos (simbólicos) dos quais o primogênito chamava-se Duryodhana. O mais moço, pandu, teve cinco filhos, todos grandes guerreiros, conhecidos como os principais Pandavas. Dhritarashtra perdeu a vista, e continuou a ser rei só nominalmente, entregando o poder real a seu filho Duryidhana. Este com o consentimento do pai, baniu do país os cincos filhos de Pandu, seus primos, os quais, porém, depois de muita vicissitudes, viagens e aventuras, voltaram à sua terra natal, acompanhados de muitos amigos e partidários e formaram um poderoso exército aproveitando os guerreiros que lhes forneceram os reis vizinhos. Com suas forças, marcharam para o campo dos Kurus, empreendendo uma campanha contra o ramo mais velho da família, os partidários de Dhritarashtra, os quais se reuniram sob o comando de Duryodhana, que substituía o seu pai cego; e, em nome da família dos Kurus, começou o ramo mais velho a opor resistência à invasão e aos ataques dos Pandavas.

A Bhagavad Gita apresenta-nos esses dois exércitos, preparados para combater. O comando efetivo dos Kurus, cujo chefe é Duryodhana, está nas mãos do velho general Bhishma, ao passo que o supremo comando dos Pandavas é o famoso guerreiro Bhima. Arjuna, um dos cinco príncipes Pandavas e um dos principais caracteres desta história, estava presente, ao lado de seus irmãos, e acompanhado em seu carro de guerra por Krishna, reputado pelos hindus como encarnação humana do Espírito Supremo.

Krishna, amigo e companheiro de Arjuna, a quem amava por causa de sua nobre alma e a resignação, com que este suportava as perseguições.

A batalha começou, quando Bhishma, o comandante dos Kurus, deu o sinal, tocando a sua corneta ou concha, sendo seu toque imitado pelos seus partidários, e respondido pelos Pandavas. Arjuna pediu a Krishna, no princípio da batalha, que deixasse parar o carro no meio do espaço entre os dois exércitos inimigos, para ver de perto as principais pessoas que tomavam parte na luta. Vendo, então, seus parentes e amigos, tanto de um como do outro lado, ficou horrorizado por constatar que se tratava de uma guerra fratricida, e declarou a Krishna que antes queria morrer inerme e sem se defender, do que matar seus parentes. Krishna respondeu-lhe com um notável discurso filosófico que forma a maior parte da Bhagavad Gita, fazendo Arjuna reconhecer a necessidade dessa luta, em que ele e os partidários, finalmente, alcançariam completa vitória sobre os Kurus.

O autor põe a narração de tudo isso na boca de Sanjaya, fiel servidor do rei cego, Dhritarashtra.

Além do sentido histórico, material ou literal, tem a Bhagavad Gita (como toda Escritura Sagrada: a Bíblia, os Vedas, o Corão, etc.), ainda vários graus do sentido espiritual ou esotérico; e para que os leitores possam, com facilidade, descobri-lo, lhes diremos que a luta aqui descrita é a que se trava no interior de cada homem, entre o "Bem" e o "Mal". Arjuna, o homem, acha-se colocado no campo de suas ações, entre dois exércitos inimigos, dos quais os Pandavas representam as forças superiores, e os Kurus, as forças interiores da alma. Ali está Arjuna, o filho de Kunti (isto é, da alma) contra os seus parente, os filhos de Dhritarashtra (vida material) ameaçado pelo egoísmo, pelos seus prazeres e pelas suas paixões, que forma um poderoso exército de ilusões: a sua tarefa é vencê-las para chegar ao conhecimento de sua verdadeira essência divina. Mas, como muitas dessas ilusões se lhe tornariam agradáveis, acha difícil combatê-las. A seu lado, entretanto, tem valentes guerreiros: a sua Consciência, o Amor do Bem e da Verdade, a Obediência à Lei Suprema, a Fé, a Convicção, etc.

Krishna, que lhe explica a verdadeira natureza humana e sua relação com Deus, é o Verbo de Deus, Logos ou Cristo em nós, o nosso superior, imortal EU Divino.

 

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